buscape

domingo, 15 de agosto de 2010

O lar das bactérias


VILÃ - A esponja é um dos itens mais contaminados da cozinha, concentrando cerca de 10 milhões de germes por mililitro de águaVILÃ - A esponja é um dos itens mais contaminados da cozinha, concentrando cerca de 10 milhões de germes por mililitro de água

Por questões que podem parecer óbvias aos menos avisados, o banheiro de casa é sempre tido como o local mais infestado de microorganismos, germes e bactérias. Engana-se quem pensa assim. Na verdade, a cozinha é o ambiente mais contaminado e requer cuidados redobrados de higienização. Afinal, é lá que preparamos nossas refeições.

A cozinha doméstica reserva locais que servem como verdadeiros paraísos para os germes e bactérias se reproduzirem, infestando tudo. E a pia é o epicentro da contaminação. Os microorganismos desenvolvem-se em pontos como as ranhuras da tábua de cortar carne, na nem tão inocente esponja de lavar pratos, no fogão, microondas, grelha, geladeira, despensa, azulejos e piso...

Com água e comida de sobra, as bactérias fazem a festa. Não basta apenas lavar a louça e guardar as sobras na geladeira. A dona-de-casa deve estar ciente dos riscos que a falta de cuidado — e até de informação mesmo — pode gerar para a saúde de todos em casa.

Estatísticas dão conta que as refeições feitas em casa são responsáveis por boa parte das infecções intestinais, as chamadas Doenças Veiculadas por Alimentos (DVAs). O descuido no preparo dos alimentos num ambiente permeado por esses inimigos invisíveis como a cozinha pode resultar em diarréias, vômitos, febres e mal-estar.

Esponjas e panos de prato são os principais meios para o desenvolvimento dos causadores das DVAs. Estima-se que existam cerca de 10 mil bactérias em cada mililitro de água concentrada na pia. E sabe aquela esponjinha de duas faces que a mamãe usa para lavar a louça? Ela pode concentrar até 10 milhões de germes por mililitro de líquido. Algo realmente assustador! Os resíduos de alimentos grudados na esponja junto à umidade do ambiente fazem com que as bactérias se multipliquem rapidamente. O ideal é trocar as esponjas a cada semana de uso.

“As pessoas costumam acreditar que o banheiro é o lugar da casa com mais germes e bactérias pelo fato de defecarem nele; mas, na verdade, a cozinha tem mais micróbios. E a maioria das pessoas não tem consciência disso. É preciso que se saiba que só o fato de arrumar a cozinha depois das refeições não quer dizer que o local está limpo. Não está!”, comenta a professora Maria Celeste Nunes de Melo, do Laboratório de Microbiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Doenças, bactérias e toxinas

Segundo a microbiologista Maria José de Britto Costa Fernandes, também professora da UFRN, na tentativa de se evitar infecções intestinais e outras doenças gastro-intestinais, muitas vezes não basta apenas aquecer o alimento antes de comê-lo. Isso porque mesmo que a bactéria seja destruída pelo calor, ela deixa a toxina nociva na comida, o que desencadeia o processo de diarréia. “Alguns insetos como formigas e moscas também servem de vetores para algumas doenças, pois trazem microorganismos em suas patas. As pessoas também devem ter cuidado em lavar sempre frutas e verduras.”

Sempre que alguém em casa aparece com diarréria ou infecção intestinal comenta que “foi algo estragado que comeu na rua”. Nunca se atribui o mal-estar a algum alimento ingerido em sua casa mesmo. “Algumas bactérias produzem enterotoxinas. Mesmo que o alimento seja cozido, não resolve, pois muitas dessas toxinas são termorresistentes”, diz profª Celeste. “Ingere-se a própria bactéria ou a toxina produzida por ela”, complementa profª Maria José. “Quando muitas pessoas têm problemas de infecção provocados por algo que comeram numa festa, isso é causado por que alguma toxina estava presente nos salgadinhos”, exemplifica profª Maria José de Britto.

As microbiologistas da UFRN consideram como principais causadoras de problemas relacionados à cozinha as bactérias escherichia coli, salmonella, shigella e staphylococcus aureus. “Todas essas bactérias podem contaminar os alimentos e trazer problemas gastro-intestinais pela ingestão da própria bactéria ou de toxinas”, diz profª Celeste.

Donas-de-casa e empregadas domésticas desconhecem riscos

A maioria das donas de casa ainda acredita que o banheiro é o local mais contaminado por germes e bactérias numa residência. Questionadas pela reportagem, elas não hesitavam em responder de pronto: “o banheiro!”. O argumento para tal afirmação é o fato de o local receber urina e fezes diariamente. A presidente do Sindicato das Empregadas Domésticas do RN, Ana Maria Costa, diz ter certeza absoluta que a desinformação é grande entre as responsáveis pelos afazeres domésticos.

“Muitas delas não sabem nem o que significa fungo, bactéria, germe. Elas não têm consciência do risco que correm todos os dias”, diz Ana Maria, 36 anos, cozinheira profissional. “Só o fato de o ser humano estar falando na cozinha já está lançando bactérias no ambiente”, considera.

Todos os anos o Sindicato das Empregadas Domésticas do RN realiza um curso entre as profissionais do lar, onde são passadas informações e dicas sobre os principais cuidados que se deve ter ao cuidar de uma casa. “Ensinamos muita coisa e a cozinha é um dos assuntos do curso. Mas tenho certeza que elas não cumprem o que falamos”, afirma Ana Maria Costa.

A empregada doméstica Valdiléia Mariano da Silva, 25 anos, diz trocar com regularidade a esponja da cozinha na casa onde trabalha, mas não faz o mesmo em sua própria residência. Ela não pensava que a cozinha fosse o ambiente mais contaminado da residência. “Achava que era o banheiro, porque é lá que fazemos todas as necessidades. A cozinha era o último lugar que eu diria. Não imaginava nunca.”

Também crendo ser o banheiro o campeão doméstico da contaminação, principalmente por atrair insetos como baratas, a dona-de-casa Adelaide da Silva Ribeiro, 69 anos, diz tomar bastante cuidado com a higienização da cozinha, em especial com a pia, mas admite que não segue a orientação de trocar a esponja semanalmente. “Troco de quinze em quinze dias, mas vou passar a trocar toda semana”, promete.

Já Célia Maria dos Santos, 46 anos, troca a esponja toda semana e diz seguir alguns cuidados como guardar as panelas emborcadas, colocar restos de comida na lixeira e, na hora de lavar a louça, começa pelos copos para só depois lavar pratos e panelas emgorduradas. “Também lavo o depósito de colocar sabão.”

Bactérias longe da cozinha

Limpeza

- Esqueça os panos de prato! Os tecidos desses panos possuem condições perfeitas para a proliferação de bactérias, principalmente quando úmidos por longos períodos. Substitua-o por rodo de pia, toalhas de papel e escorredor de pratos.

- Troque objetos de madeira, como tábua de cortar carne, rolo de macarrão ou colher de pau, pelos de plástico branco. A madeira acumula matéria orgânica e absorve umidade, favorecendo a multiplicação de bactérias. É difícil desinfetar esses objetos porque a umidade fica retida neles.

- Na hora de lavar pratos, não esqueça que o detergente não mata os germes; apenas desengordura os utensílios. O ideal seria lavar primeiro os copos, para que a gordura de pratos e talheres não passe da esponja para eles.

- A esponja deve ser trocada a cada semana de uso. Não use a mesma esponja por período superior a esse.

Preparo

- As mãos de quem prepara os alimentos devem estar sempre limpas. Portanto, evite usar a lixeira de pia. Ao abrir sua tampa, fatalmente você irá contaminar as mãos ao encostar na sujeira. Prefira as lixeiras que abrem com pedal e deixe-as sempre no chão.

- Evite preparar ovos mal-passados, crus, ou comida à base deles, pois alguns ovos apresentam na gema a bactéria salmonela, grande causadora de infecções intestinais. Não se arrisque em maioneses caseiras nem em ovo frito com gema mole.

- Prefira água sanitária a vinagre na hora em que for desinfetar frutas e verduras. Mas atenção! Nem todas as marcas ou tipos são indicados para esse fim. Leia o rótulo antes de usar.

- Não sirva carnes mal-passadas, pois podem conter bactérias. O ideal é comer o alimento preparado na hora. Evite deixar comida por muito tempo em cima do fogão, e também comer o alimento frio ou morno, pois pode haver a multiplicação de bactérias causadoras de infecções gastrointestinais.

Geladeira

- Não é preciso esperar a comida esfriar para colocá-la na geladeira. Isso é coisa do passado. É recomendado guardar a comida ainda morna no refrigerador, bastando apenas deixar o recipiente aberto enquanto a comida esfria.

- Potes com comida, que vão à geladeira, não podem estar muito cheios, nem completamente cobertos por outros potes. Também não deve-se guardar panelas com comida na geladeira, porque, além de não vedar direito também é difícil de refrigerar.

Chuveiros domésticos podem dar um banho de bactérias


Chuveiros domésticos podem dar um banho de bactérias
Chuveiros domésticos acumulam grandes quantidades de uma bactéria que pode causar infecções pulmonares em pessoas com sistema imunológico enfraquecido.[Imagem: DONeil/Wikimedia]

Respirando micróbios

Os chuveiros domésticos oferecem um ambiente propício para a proliferação de micróbios potencialmente patogênicos, que podem ser inalados na forma de partículas suspensas, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado (UC) em Boulder, nos Estados Unidos.

A pesquisa, que será publicada esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), concluiu que cerca de 30% dos chuveiros analisados abrigava níveis consideráveis de Mycobacterium avium, ligada a doenças pulmonares.

O patógeno contamina com mais frequência pessoas com sistemas imunológicos comprometidos e, eventualmente, pode infectar também pessoas saudáveis.

Bactérias no chuveiro

De acordo com o autor principal do estudo, Norman Pace, os cientistas analisaram cerca de 50 chuveiros de nove cidades em sete estados norte-americanos.

Não é surpreendente encontrar patógenos em águas da rede pública, de acordo com Pace, mas os pesquisadores descobriram que algumas das bactérias se aglutinam, formando um "biofilme" viscoso que adere ao interior dos chuveiros, em uma concentração mais de 100 vezes maior que a encontrada na água encanada.

"Quando a pessoa liga o chuveiro e recebe um jato de água, provavelmente está levando também uma carga particularmente elevada de Mycobacterium avium, que pode não ser muito saudável", disse Pace. O estudo é parte de um esforço maior de sua equipe, cujo objetivo é avaliar a microbiologia dos ambientes internos, com apoio da Fundação Alfred P. Sloan.

Trocando a banheira pelo chuveiro

Outra pesquisa realizada pelo Hospital Nacional Judaico, em Denver, indicou que houve um crescimento nos Estados Unidos, nas últimas décadas, de infecções pulmonares relacionadas a espécies de bactérias não ligadas à tuberculose, como a Mycobacterium avium. Segundo os autores, esse crescimento pode estar ligado ao fato de a população do país ter passado a utilizar mais o chuveiro e menos a banheira.

"A água que jorra do chuveiro pode distribuir gotículas recheadas de patógenos que ficam suspensos no ar e podem ser facilmente inalados, penetrando nas partes mais profundas dos pulmões", afirmou Pace.

Os sintomas da doença pulmonar causada pelo M. avium, segundo o estudo, podem incluir cansaço, tosse seca persistente, falta de ar, fraqueza e sensação geral de mal-estar. "Pessoas com o sistema imunológico comprometido, como mulheres grávidas, idosos e aqueles que estão lutando contra outras doenças, são mais propensas a tais sintomas", disse.

De olho na água

Embora os cientistas tenham tentado testar a presença de patógenos nos chuveiros por meio de cultura de células, essa técnica é incapaz, segundo Pace, de detectar 99,9% das espécies de bactérias presentes em um determinado ambiente.

Uma técnica de genética molecular desenvolvida pelo grupo do pesquisador na década de 1990 permitiu a retirada de amostras diretamente dos chuveiros, isolando o DNA e amplificando-o com utilização da reação em cadeia da polimerase, a fim de determinar as sequências de genes presentes, possibilitando a identificação de tipos de patógenos específicos.

"Houve alguns precedentes que indicavam que os chuveiros podiam gerar alguma preocupação, mas até esse estudo, não sabíamos o quanto o problema podia ser relevante", disse Pace.

Durante as primeiras fases da pesquisa, a equipe testou chuveiros em pequenas cidades, muitas das quais estava usando água de poço e não encanada. "Inicialmente, achamos que os níveis de patógenos detectados nos chuveiros se deviam a isso. Mas, quando começamos a trabalhar os dados de Nova Iorque, vimos uma grande quantidade de M. avium e o estudo foi revigorado", disse.

Chuveiros de metal

Além da técnica de coleta de amostras do chuveiro, a equipe utilizou outro processo: várias duchas foram partidas em pedaços pequenos, que foram revestidos de ouro. Um corante fluorescente foi usado para marcar as superfícies e, com um microscópio eletrônico de varredura, os pesquisadores puderam observar as superfícies em detalhe.

Apesar dos resultados, Pace ressalta que provavelmente não é perigoso utilizar chuveiros para tomar banho, contanto que o sistema imune da pessoa não esteja comprometido de alguma maneira. Segundo ele, como os chuveiros de plástico apresentam uma carga maior de patógenos, os chuveiros de metal podem ser uma boa alternativa.

"Há lições a serem aprendidas aqui em termos de como controlar a água e lidar com ela. O monitoramento da água é muitas vezes arcaico. Já existem ferramentas para fazê-lo com mais precisão, de forma mais barata que a utilizada hoje em dia"

Produtos contam cada vez mais com a biotecnologia branca para substituir processos químicos.

Por se preocupar com o meio ambiente e a conservação de fontes de energia fósseis, a Henkel desenvolveu a chamada Biotecnologia Branca na fabricação de detergentes e produtos para cuidados diários. Utilizando fungos, leveduras e bactérias em escala industrial, a empresa produz ingredientes importantes para que esta produção seja possível.
Os microorganismos se utilizam de matérias primas renováveis e acessíveis, como melaço, amido ou óleos derivados de plantas para a conversão de substâncias. O processo é ecologicamente compatível, uma vez que não utiliza elementos químicos ou altas temperaturas, protegendo o clima.
As “mini fábricas” de ingredientes produzem principalmente enzimas e ácido cítrico e ainda contam com biossurfactantes, substâncias ativas com procedência biológica que proporcionam a interface “adesiva” entre a água e as moléculas de graxa, facilitando o processo de expulsão das partículas de solo da lavagem ou de outra superfície.
Os biossurfactantes são fabricados por meio da ação de leveduras ou bactérias sobre matérias primas renováveis e, além de serem ecologicamente compatíveis, também são ideais para a limpeza de vidros, pois se comportam melhor do que os surfactantes convencionais e apresenta melhores resultados nos produtos Instanet, Bref e Sonasol.

Enzimas e ácido cítrico
As duas substâncias já fazem parte do cenário da Biotecnologia Branca mundial e estão presentes em processos químicos de diferentes funções. As enzimas são fabricadas com a ajuda de bactérias e utilizadas em detergentes para lavanderia como um meio de remoção de manchas, como sangue, chocolate ou batom. O processo utilizado pela Henkel garante a qualidade dos produtos de lavanderia como Dixan, Le Chat e Wipp Express.
Já o ácido cítrico, antes extraído do suco de limão e lima, é produzido agora por um fungo especial, o que permite a produção em escala industrial. Utilizado em limpadores domésticos, como Tenn, Bref ou Sonasol, sua principal função é dissolver calcário de maneira eficaz.